6 lições para você e sua empresa escondidas no Mapa Inferno do CS:GO

Por Lexxa Blackfish

Quando falamos dos benefícios do neurofitness praticado através dos esportes intelectuais, especialmente o CS:GO, é quase inevitável nos prendermos aos fatores mais óbvios, como o aumento da velocidade de processamento mental e a melhoria da qualidade de tomada de decisões sob pressão. Mas como todo esporte intelectual complexo, os benefícios do treinamento regular vão muito além.

Veja abaixo 6 lições praticadas durante as partidas dentro do Mapa Inferno, um dos mais tradicionais do CS:GO.

Lição 1: Usar bem e dominar os recursos que possui

Na vida pessoal e no mercado de trabalho raramente temos à disposição todos os recursos que precisamos. 

Quase sempre nos vemos improvisando com o que temos, não raro retirando leite de pedras. Em outros casos, especialmente para aqueles que possuem a oportunidade de compor o quadro de grandes empresas ou cargos especiais, não é difícil encontrar situações onde ocorre o oposto, com fartura de recursos, mas péssimo uso destes.

Já dizia um dos primeiros gestores que tive: “O problema não é gastar, mas gastar bem”.

Esse é um conceito instintivamente praticado dentro do CS:GO, principalmente no Mapa Inferno, um dos mais famosos e desafiadores do metaverso.

Para além de comprar as armas certas durante os rounds da partida, é preciso saber usá-las, sob pena de gastar muito com um equipamento que não comporá bem as necessidades do player e do time no momento vivido na arena. Essa idéia também é válida para o uso da máquina que carregará o game, adaptando as configurações às limitações de hardware, extraindo assim o melhor da experiência mesmo não possuindo um PC tão robusto.

Quando replicamos estes ensinamentos na vida real, percebemos como são detalhes mínimos que podem fazer a diferença no longo prazo entre aquela pessoa ou profissional que muito reclama, mas pouco age com os recursos que tem para fazer as entregas do dia, daquele que se adapta às adversidades e encontra caminhos para a superação dos desafios. 

Algo valorizado por 100 entre 100 superiores...

Lição 2: Posicionar-se considerando o olhar dos pares

No mundo real, os pares são aqueles que possuem o mesmo cargo ou atuam junto dentro de um mesmo time ou projeto. Além de primeiros amigos no ambiente profissional, muitas vezes, são os primeiros concorrentes no momento de disputar uma promoção ou maior responsabilidade, o que pode gerar dificuldades na adaptação e performance no trabalho em equipe.

Mas quantos de nós conseguimos enxergar a realidade diária pelo olhar dos nossos parceiros?

O Mapa Inferno do CS:GO, com suas esquinas e encruzilhadas, nos desafia a enxergar o mundo pelo olhar do outro, seja o adversário ou os colegas de time. Somente assim conseguimos nos posicionar de forma inteligente e competitiva no mapa, bem como auxiliar os nossos companheiros em suas necessidades de batalha, jogando em função do time, não do próprio ego.

É um treinamento intuitivo que, quando nos encontramos em times reais nas empresas ou mesmo individualmente, nos conduz a mesma percepção do outro, favorecendo não só a qualidade do nosso trabalho em equipe como a qualidade das nossas relações interpessoais, proporcionando melhorias nos ambientes profissionais e em toda a sociedade.

Quem não gosta de saber que é compreendido e que pode verdadeiramente contar com o outro?

Lição 3: Conhecer e aplicar as prioridades estratégicas

Segundo o famoso General Conde Moltke, “nenhum planejamento resiste ao primeiro contato com o campo de batalha”, sendo este necessário apenas para uma visualização prévia do combate. No mapa Inferno do CS:GO podemos dizer que isso é uma verdade.  

Como a rotação dentro do jogo é muito rápida, o cenário da batalha pode mudar muito rapidamente, fazendo dos fatores “habilidade técnica e adaptabilidade” um diferencial determinante para a vitória. Qualquer semelhança com o mundo corporativo não é mera coincidência!

Dentro das empresas, normalmente o planejamento estratégico está alinhado com a missão e valores da organização, aproximando os ideais e objetivos do empreendedor e seus stakeholders, sob risco de enfraquecimento da imagem e força da marca caso isso não seja uma prática.  

Conhecer e aplicar  essas prioridades vai além de saber o que fazer, compreendendo também o “como” e “em que momento fazer”, extraindo o melhor de si e da cena, mesmo nas situações mais desafiadoras. 

Treinar a mente para encontrar este “timing perfeito” nos momentos de pressão e de tomada de decisões rápidas, não apenas encontrando, mas também criando oportunidades, é um dos maiores ganhos que podemos ter na prática regular do CS:GO e outros esportes intelectuais, maximizando  toda a potencialidade de um planejamento estratégico bem desenhado. 

Lição 4: Escutar o ambiente e aprender a reagir proporcionalmente

Nos jogos de tiro em primeira pessoa, especialmente o CS:GO, a audição e a visão são super estimuladas. Detalhes mínimos como o barulho dos passos de outros jogadores pelo mapa, do recarregar das armas atrás de paredes e mesmo dos tiros no meio da arena, revelam detalhes que tanto colocam o cérebro no “modo batalha”, aumentando a velocidade das reações em razão do aumento da adrenalina, como concede dinamismo e completude na experiência do trabalho em equipe dentro do metaverso.

Dentro das empresas, saber ouvir corretamente, ou seja, concentrar-se genuinamente no interlocutor em vez de apenas escutá-lo em silêncio ou antecipar respostas com idéias preconcebidas, permite uma melhor tomada de decisões e aproxima as metas do sucesso, garantindo o foco no que é expressado, inclusive sem palavras, proporcionando um ambiente fértil para novas idéias e um clima organizacional saudável. 

Tanto quanto diferencia os seres humanos dos animais irracionais, a comunicação aponta e diferencia os vencedores.

Lição 5: A importância de melhorar a vida do parceiro

No Mapa Inferno do CS:GO vence a equipe em que cada membro desenvolve a empatia durante as partidas, jogando o jogo não a partir da sua percepção, mas na perspectiva dos companheiros de time e dos adversários. 

Muito mais que apenas colocar-se no canto do outro, a empatia segundo Hoffman (1981), é uma resposta afetiva apropriada à situação de outra pessoa. É uma habilidade e, como qualquer outra, pode e deve ser praticada e desenvolvida no dia-a-dia, sendo uma parte fundamental da formação humana na condução de atitudes éticas, respeitosas e construtivas, sendo parte indissolúvel do compliance empresarial. 

Se no CS:GO é um desafio, pela complexidade do jogo, pensar e atuar pelo olhar do outro, no mundo empresarial e na sociedade em geral não é difícil perceber a complexidade que se forma nas relações quando a maior parte das pessoas são treinadas para competir, em vez de coopetir, revelando o outro, ainda que o parceiro do escritório, como um antagonista na disputa pelo próprio espaço. 

Haverá cada vez menos espaço no globo para pessoas sem empatia, seja nos games ou na vida comum, especialmente no cenário que se forma pós-pandemia de Sars-Cov-2, tornando a cultura da intriga e do desprezo obsoleta, ridícula e impensada.  

Aprender a melhorar a vida do parceiro através da empatia será a próxima fronteira na diferenciação entre seres humanos e as máquinas dotadas de inteligência artificial, isso porque a empatia exige grande capacidade de adaptação e afetuosidade, enquanto as máquinas apenas respondem a processos previamente programados.  

Em meio às máquinas inteligentes e continuamente em evolução, os humanos precisarão tornar-se ainda mais humanos, potencializando suas habilidades únicas e impossíveis (pelo menos por agora) de serem copiadas por uma unidade IA, sob a pena de serem substituídos pela função única que estas possuem de melhorar a vida de nós todos. 

Lição 6: Priorizar as necessidades do time que o ego e os interesses individuais

Para ter sucesso nas partidas de CS:GO é preciso atender as necessidades do time. É natural que cada jogador tenha suas preferências, suas armas e posições favoritas, mas round após round é preciso pensar no coletivo, desde o gerenciamento do caixa para compra de equipamentos, até a doação de equipamentos aos companheiros empobrecidos e a missão que cumprirá dentro da partida. 

Isso vale para uma simples partida casual ou para uma rodada competitiva oficial. No mundo corporativo isso também é uma realidade! 

Comunicação, coordenação, memória, proatividade e percepção precisam estar afinadas e integradas nà rotina diária profissional, permitindo que desejos e metas pessoais possam ser desenvolvidas sem comprometimento ou em consonância com as necessidades do time empresarial. 

É preciso que exista uma mudança na perspectiva e no significado do que é sucesso, compreendendo que vencer verdadeiramente é algo que se realiza no coletivo, inclusive na vida em sociedade, sendo uma vitória incompleta qualquer bom resultado conquistado individualmente, sem a partilha e comunhão com os pares.  

O primeiro passo para subir este degrau coopetitivo é perceber que cada pessoa tem algo a ensinar e aprender, e que é o compartilhamento de idéias e talentos que transformam não só cada pessoa, mas cada time e empresa em organismos únicos, fazendo desta unidade um valor incomensurável que agrega de forma especial aos objetivos de todos os envolvidos, mais que quando atuando sob uma perspectiva individualista e desconectada das necessidades e realidades do todo. 

Definitivamente, o CS:GO não é só um “joguinho”!