CSGO: Neurofitness com Responsabilidade

Por Lexxa Blackfish

1. Sobre o CS:GO

Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO) é um e-Sport desenvolvido pelas empresas “Valve” e “Hidden Path Entertainment”, tendo sua versão para Windows, Mac e XBOX apresentada em 2012, enquanto a versão em Linux foi lançada em 2014. É um dos jogos eletrônicos mais populares do mundo, tendo sido o mais vendido em 2015 pela plataforma Steam, uma das principais distribuidoras de games da atualidade.

Por essência, o CS:GO é um metaverso imersivo de batalha que permite a formação de times e comunidades, a criação de mapas customizados pelos próprios usuários, possibilitando missões de combate e resgate de reféns,  com jogabilidade individual contra boots ou em equipe, contra outros jogadores reais espalhados pelo globo.

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Em razão da alta competitividade do game é possível e necessário (dependendo dos objetivos de cada player, se recreativo, amador ou profissional) treinar habilidades em plataformas independentes, como a GamersClub (referência na América Latina), que permite à partir de novas modalidades como a Deathmatch, o desenvolvimento de técnicas especializadas dentro do jogo. Vídeo-aulas e treinos práticos específicos ensinam sobre o uso de armas e movimentação dos avatares dentro do metaverso, entendimento dos riscos e possibilidades escondidas em cada pedaço dos mapas, além de estimular o aprimoramento individual e do trabalho em equipe.

Atualmente, o jogo está disponível na plataforma Steam em 28 idiomas, com mais de 4 milhões de usuários recomendando-o positivamente, tendo como requisitos mínimos de máquina para uma boa jogabilidade um sistema operacional Windows®7, 2 GB de RAM, Vídeo com pelo menos 256MB, a instalação do DirectX-9 e compatibilidade com o Pixel Shader 3.0, além de um processador Intel®Core™2 Duo E6600 ou AMD Phenom™ X3 8750, com pelo menos 15GB disponível no HD.

Conheça o cenário competitivo do CS:GO

2. Benefícios e malefícios oferecidos pelos games de tiro em primeira pessa

Segundo estudos desenvolvidos por neurologistas e universidades em todo o globo, há evidências de benefícios e malefícios na prática regular dos jogos de tiro. Benefícios geralmente ligados a uma prática saudável, não ultrapassando 1 hora por dia, limitada a 5 horas por semana, intercalados com semanas de descanso e malefícios associados a muitas horas imerso na atividade, sem o devido amparo psicossocial e fisiológico.

Vale destacar que os benefícios e malefícios dos jogos de videogame são ocasionados não só pelo tempo em jogo, mas também pelo conteúdo (violento, educacional, social e etc) destes, o contexto (capacidade de alterar as reações do jogador na vida real) que o jogo dá, além da estrutura (forma como se apresentam as informações) e mecânicas do jogo (habilidades necessárias para controlar as ações dentro do game).

“Games violentos podem gerar prejuízos escolares a crianças menores de 10 anos e algum comprometimento cognitivo em adolescentes. Contudo, jogos de tiro praticados de forma equilibrada agregam muitos benefícios à saúde do player.”

Um dos primeiros benefícios percebidos é a melhoria na capacidade de atenção visual (observação e percepção), algo que é conquistado com a necessidade de realizar múltiplas tarefas durante as partidas, em cenas altamente movimentadas ou confusas. Algo comum nos jogos que exigem dos adeptos atenção e reação à múltiplos detalhes e comandos, além de adaptação quase instantânea às situações, muitas vezes imperceptíveis nos cenários, como um novo inimigo que surgiu na tela, obrigando o player a manter a intensidade do foco simultâneo durante toda a duração da partida.

Esta é uma habilidade muito necessária, por exemplo, a cirurgiões e pilotos, que além de manter o foco em múltiplas variáveis, precisam lidar com a pressão da tomada de decisões rápidas (e com pouca ou nenhuma chance de correção) em cenários que envolvem riscos. Segundo pesquisas, jogadores analisados foram capazes de tomar decisões até 25% mais rápido e sem prejuízo na assertividade ao executar as ações.

Outro benefício percebido em pesquisas envolvendo jogos de tiro é o aumento da capacidade de memorização, planejamento e organização dos jogadores, algo favorecido pela neuroplasticidade, estimulada com a repetição das situações de jogo. 

A adaptabilidade em diferentes grupos também é estimulada, visto que as equipes recreativas normalmente são construídas aleatoria e globalmente durante a formação das partidas pelos sistemas, retirando os jogadores da zona de conforto ao ter que adaptar-se às diversas funções e necessidades possíveis em cada turno.

Há estudos que sugerem redução nos níveis de stress, raiva e depressão em players após jogar games com apelo à violência, como os jogos de tiro em primeira pessoa, mas isso é algo que para acontecer necessita de equilíbrio e acompanhamento da qualidade da rotina, em razão do risco real de pessoas genetica e socialmente vulneráveis ao desenvolvimento de vícios comprometerem sua saúde ao usar games imersivos para fins de descompressão. 

É preciso compreender que existe uma linha fronteiriça entre a “descompressão saudável” e a “fuga do mundo real”, o que normalmente reside na visão de mundo praticada pelo player. 

Apesar dos significativos benefícios, é preciso cautela com a prática regular dos jogos de tiro mesmo por adultos, visto que um dos tantos problemas que podem ser causados pela prática abusiva é a diminuição do tamanho do hipocampo cerebral, em razão da imersão por longas horas no game, colocando o jogador em uma espécie de “piloto automático”, que pode ser contrabalanceado de forma saudável (especialmente nos jogadores profissionais, que são obrigados pela competitividade natural a dedicar-se várias horas diárias) utilizando, por exemplo, a montagem de quebra-cabeças 3D, que ao contrário, fortalecem o hipocampo com o aumento da massa cinzenta cerebral. 

É preciso enxergar e dominar o cérebro como uma máquina configurada e cuidada para conduzir o corpo ao apogeu da potencialidade, com a mesma disciplina e zelo com que são cuidados os carros de Fórmula 1, mas com foco em saúde, satisfação pessoal e coopetitividade.

Ainda nesse sentido, outro ponto que necessita atenção é o impacto em longo prazo que os jogos de tiro possuem nas funções cognitivas e emocionais do cérebro, especialmente nos rapazes mais jovens, que demonstram menor ativação do lobo frontal inferior ao realizar provas emocionais com ações violentas e não violentas, além de apresentarem redução na atividade do córtex ao desempenhar tarefas numéricas.

São efeitos que diminuem ao ficar, por exemplo, uma semana sem jogar o game. No entanto, as pesquisas apontam que jogar junto com os pais pode diminuir a incidência de aumento no comportamento agressivo (nas meninas de 11 a 16 anos, não tendo alteração nos meninos de mesma idade), contribuindo não só para uma saúde mental superior, como uma relação familiar mais forte, além de oferecer aos estudiosos mais nuances sobre as diferenças biopsíquicas em cérebros masculinos e femininos.

Ainda mais sensível é a prática de jogos violentos por crianças e jovens em idade escolar, pois há aumento da excitação fisiológica estimulada por estes jogos, podendo contribuir para o aumento dos vícios, de comportamentos agressivos, isolamento social e perda da sensibilidade, algo que já possui inúmeras queixas de professores brasileiros, com aumento da violência dentro do ambiente escolar.

Definitivamente, jogos de tiro são jogos para adultos, preferencialmente maiores de 29 anos, que já estão com todo o sistema neurológico e emocional consolidado, diminuindo os riscos de danos cerebrais. 

Adolescentes podem aderir de forma segura à pratica de jogos como o CS:GO, mas observando não só o tempo dedicado semanalmente, como também a qualidade de vida do jogador, monitorando sua saúde integral.

Aqui entram fatores como qualidade do sono, alimentação, relacionamentos interpessoais, dedicação à vida acadêmica, aos esportes físicos e, não menos importante, acompanhamento médico e psicológico, evitando que doenças pré-existentes sejam alimentadas com maus hábitos de rotina. 

São fatores indispensáveis para aqueles que buscam a profissionalização no e-Sports ou mesmo beneficiar-se dos esportes eletrônicos como ginástica cerebral.

3. O mundo real e prático dentro do CS:GO

No Brasil, o Ministério da Justiça passou a classificar a faixa etária do CS:GO como “não recomendado para menores de 16 anos” em 2016, sendo antes um jogo somente para maiores de 18 anos. No entanto, a fiscalização fica à critério dos pais, não sendo difícil escutar vozes, nitidamente de crianças durante as partidas.

Algumas, inclusive, com habilidade superior à de jogadores mais velhos, geralmente em razão das horas passadas diante da tela “praticando”, algo que sem supervisão de um adulto pode ser bastante prejudicial para a formação cognitiva e social. Mas não é tema deste artigo entrar na questão da “qualidade da participação familiar” na formação destes jovens que se interessam por jogos de tiro.

Alinhando-se o entendimento, é preciso reconhecer que moramos num Brasil desigual e que entre estar na rua, sujeito ao tráfico de drogas e outras violências, os pais costumam sentir-se mais seguros com os filhos em casa, mesmo que jogando jogos violentos ou fora de sua faixa etária, mesmo que sem supervisão. 

A verdade é que muitos destes pais se quer sabem que seus filhos passam horas jogando jogos violentos, enquanto eles trabalham o dia todo para garantir o conforto mínimo da família, ou que alguns jogos famosos globalmente podem ser realmente prejudiciais quando jogados sem equilíbrio.

No CS:GO além do uso de armas há cenas fortes durante as partidas,  com buracos de balas nas paredes, indicação de sangue após os tiros, corpos caídos violentamente com o ricocheteio das balas, além da violência que às vezes se vive em tempo real no headset.

São falas de outros jogadores com o próprio time ou com os adversários carregadas de palavras medíocres (você pode configurar para não ouvir a fala de outros players, mas ao fazê-lo perde em jogabilidade), vibrações excessivas e humilhantes após “eliminar” o adversário e até algum machismo ao lidar com garotas que jogam o game, especialmente se estas ainda estão aprendendo e não possuem os reflexos consolidados para manipular habilmente os controles do jogo. 

No que se refere ao machismo, mesmo as meninas que se destacam globalmente, geralmente possuem alguma história relacionada para contar. Apesar de um espaço democrático para a superação das questões crônicas ligadas ao gênero, os esportes intelectuais ainda são palco para muitas cenas violentas que reproduzem o que vemos diariamente na rotina das grandes cidades. 

Como uma foto do mundo atual, é uma cena em transição para um momento muito mais bonito da humanidade.

Leia mais: O machismo presente nos esportes intelectuais e os jogadores punidos por machismo nos e-Sports

Ainda no campo da falta de empatia e desrespeito com o outro dentro do CS:GO, jogadores menos habilidosos costumam ser “expulsos” das partidas pelos demais jogadores do time, especialmente quando o grupo está perdendo. Isso exibe uma tendência comum de pouca paciência generalizada com o inferior, com os maus resultados e expectativas frustradas, promovendo a doença crônica do “culpar o outro”, evitando para si a responsabilização por resultados indesejáveis. 

Para além destes fatores, o CSGO Profissional é o segundo e-Sport com maior volume de premiações em dinheiro, movimentando milhões de dólares em premiações. O Campeonato Brasileiro de CSGO, organizado pela GamersClub, prometeu premiação de mais de R$1 milhão, além de garantir vaga em outras competições de maior nível, contribuindo inclusive para a popularização dos eventos em canais de tv e sites esportivos.

As grandes premiações assim como a profissionalização são acessíveis para poucos, mas já é possível encontrar projetos sociais conduzidos por professores e amantes dos games nas periferias brasileiras, contribuindo não só para o neurofitness de alto nível entre alunos de baixa renda, como para a alfabetização tecnológica destes jovens, num cenário nacional em que possuir computador e internet banda larga em casa ainda é um privilégio, apesar do aumento  na acessibilidade nos últimos anos.

Para os apaixonados de classe média, há farta disponibilidade de produtos conectados ao game para aquisição por preços populares, indo desde camisetas dos times mais conhecidos, pins, bonés, chaveiros, além das famosas “skins” para uso dentro dos jogos, entre outras possibilidades.

 

Leia mais: Conheça as empresas de e-Sports mais valiosas do mundo e o o comportamento de consumo dos torcedores no CS:GO

Outro aspecto da realidade do CSGO são as gaming houses e offices, verdadeiros QGs para os adeptos que vivenciam o jogo com enfoque competitivo. Nas primeiras, os players treinam e moram juntos, recebendo o suporte de um staff diferenciado para que alcancem níveis cada vez mais altos de excelência no game. Na segunda, eles apenas treinam juntos, retornando para casa, após um dia comum de treinos, tal qual em qualquer trabalho. 

Algumas são verdadeiras mansões, com investimentos realizados para fortalecer a marca e conferir condições de melhoria contínua entre os players, outras são mais simples e menos organizadas, como um processo de transição comum em um esporte relativamente novo.

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As top 5 Gaming Houses de CS:GO

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As competições movimentam um público cada vez maior em verdadeiras superproduções, que não só lotam ginásios, mas ganham espaço também no universo de executivos visionários e modernos.

O CSGO, assim como outros e-Sports, definitivamente não são mais “brincadeira de criança”, sendo cada vez mais  encarados como um neurofitness de altíssimo nível.

Nosso pedido é para que divirta-se! Cresça de dentro para fora, inclusive no nível dos neurônios! Mas pratique com responsabilidade e moderação, sem negligenciar a importância da qualidade na rotina, mesmo que jogando como atleta amador ou recreativo.

Se você é um empreededor ou executivo, sugiro que leve os esportes intelectuais para sua empresa e oportunize a vivência prática da coopetitividade entre seus colaboradores, potencializando-os e promovendo reformas no mindset de toda a equipe.

Faça diferente da maioria e envolva sua equipe nos mesmos propósitos de forma lúdica, acolhedora, descompressora, moderna e desafiadora, colhendo benefícios não só na gestão de talentos, mas também nas entregas de resultados e valor ao cliente final.