Máfia City: Lexxa Blackfish – Episódio 1: Um início, uma família

Por Lexxa Blackfish

Numa sexta-feira de pandemia global adquiri uma mansão em #925 ZFG CITY. Na verdade, era só uma casinha…

Não, eu não era ninguém. Nada além de uma iniciante desprotegida no deserto, sem saber ao certo quanto tempo mais sobreviveria sem compreender o funcionamento real das coisas e tendo que descobrir tudo do meu próprio jeito. Eu nem sabia dos perigos que eu corria habitando o deserto…

Vaguei sozinha por alguns dias contando apenas com minha própria sorte. Posso dizer que fui bem, comparado aos incontáveis que desistem ainda antes da mansão chegar ao “level 5”.

Tinha visto que haveria uma corrida de carros na cidade. Despretensiosamente fui.

Logo se apresentaram algumas figuras curiosas com minha permanência naquela região hostil. Apesar de outras mulheres nas redondezas, era inevitável chamar a atenção.

Enquanto tomava um refresco, um homem aproximou-se de mim. Sem falar uma única palavra, entregou-me um cartão e afastou-se logo em seguida.

No cartão estava escrito: Pinheiro – Brasileiro – Chefe CLM – Clã Maligno. Será um prazer tê-la conosco.

Guardei o cartão e continuei minha bebida. 

Entrar para um clã é algo muito sério: exige respeito e lealdade. Sabia que deveria escolher com cuidado com quem andaria pela cidade. Ainda não tinha objetivos muito definidos àquela altura, mas sabia que queria dar o melhor de mim, como em tudo o que faço.

Na saída do autódromo, enquanto me dirigia até meu carro, vi o tal sujeito em pé, sozinho, fumando um cigarro com um dos pés apoiado sobre o pneu. Dei-lhe uma chance de conhecer um pouco melhor minha personalidade animal, meu estilo orca de ser:

– Olá, tudo bem? Esse seu clã é ativo ou só tem meia dúzia de pessoas trabalhando, enquanto as outras estão escoradas como se fossem fantasmas?

– Sim, a maioria é bem trabalhadora. Tenho planos de crescer bastante nos próximos dois meses. Seria um prazer recebê-la. Vejo que você é nova por aqui! – disse ele enquanto sorria cordialmente e retirava o pé de cima do pneu.

– Já tenho seu cartão. Vou pensar e qualquer coisa te ligo. – falei e saí com o carro.

Pesquisando depois, descobri que o Pinheiro era líder de uma das maiores famílias da cidade. A sexta maior família para ser mais precisa. 

Mesmo assim, eu não tinha certeza ainda se queria aliar-me aquele homem. 

Estava feliz em andar sozinha pela cidade, sem dever satisfações a ninguém. 

Na entrada de casa, naquela mesma noite, um panfleto largado no chão da calçada me fez mudar de idéia rapidamente. 

“A FEB precisa de você! Junte-se hoje mesmo! Falar com Jorge.”

Estava nítido que a cidade se agrupava fervorosamente em times, sendo praticamente proibido não pertencer a nenhum sob pena de ser atacado.

“Um clã só para brasileiros”, pensei. Talvez eu me sinta em casa… Eu posso verificar se eles são mesmo diferentes… 

Se é verdade que um panfleto jogado ao chão dificilmente prospectará clientes no mundo real, minha intuição dizia que o caminho da vitória poderia ser  trilhado ao lado desse “Jorge”. Decidi ligar para o telefone que estava no anúncio e no dia seguinte nos encontramos sem compromisso.

O clã de Jorge era modesto, apenas a 11º família da cidade, mas tinha objetivos desafiadores, além de uma aura mais positiva e convidativa para uma aliança. Após uma breve conversa, decidi permanecer ao lado dele. Foi quando me mudei do Deserto para o Reino e descobri os perigos que corria alí.

Como em outros clãs, num ambiente tipicamente masculino, logo  me vi cercada por curiosidade e uma boa recepção. Era o que eu precisava para entender as regras da cidade e começar a construir meu próprio legado.

Como em meu primeiro emprego na vida real, rapidamente cresci na FEB. Amparada pela minha disponibilidade online, paciência, diálogo, além de uma visão estratégica e cortante, logo me tornei recrutadora no clã, sendo responsável pela entrada de novos componentes e também uma pessoa da confiança do líder. Como R4, participava diretamente da tomada de decisões diárias e do planejamento em longo prazo do time.

Foi um bom começo. Um começar com o pé direito para quem almejava um dia tornar-se “Deusa da Guerra”.

Motivada e movida por minha personalidade vibrante, logo me vi buscando dar um novo molde às coisas. Não porque eu queria exercer poder, mas por necessidade diante dos fatos como se apresentavam ao clã.

Eu sabia de cor onde estava cada adversário pelo mapa, as dificuldades de cada membro do time e tinha planos que exalavam poder, embora faltassem tropas para legitimar minhas palavras. Enquanto isso, as demais famílias se revezavam em ataques que dificultavam nosso crescimento e causavam irritação. Considerávamos injustos os ataques dos mais fortes e não fazer nada para mudar os fatos, além de esperar o tempo passar, era algo que me incomodava profundamente. 

Na FEB eu era uma iniciante atrevida com espaço para pensar, tal qual acontece com muitas pessoas ao chegar em empresas muito pequenas e que qualquer boa ação logo ganha destaque. Eu tinha liberdade para criar e até mesmo errar por ser ainda iniciante e o time precisar de resultados fora da curva. Foi num desses “desejos” de fazer “mais” que tive meu primeiro duelo e quase matei sem querer todo o meu clã.

Nada de especial exceto o impacto do fato em si, além da tradicional disputa por pontos de coleta de recursos e alvos de rua. 

Aborrecida, por ver a baixa velocidade da minha tropa de iniciante e os constantes roubos de alvos feitos com sucesso pelos adversários, resolvi brigar por um ponto de coleta de ouro. Consultei a pontuação da adversária e achei que “dava conta do recado”.

Como iniciantes podem ser imprudentes!! Aprendam isso!

Para resumir, aquela era apenas uma de suas contas secundárias, enquanto sua mansão principal poderia incendiar todo o meu clã.

A “Boa Esposa” foi gentil e apenas deu-me uma surra, tomando para si o ponto de recurso e todo o ouro. Respiramos aliviados no clã, eu principalmente. Seria difícil carregar o peso da morte de todo um clã.

Continua..