Neurofitness, Neuróbia ou Ginástica Cerebral – Fator de Excelência Humana

Por Lexxa Blackfish

O que é e sua importância para a sociedade moderna

É o estímulo de diferentes áreas cerebrais buscando melhor desenvoltura cognitiva, como o aumento da velocidade e assertividade no processamento dos estímulos mentais, além de maximizar a longevidade dos neurônios, células que correspondem à massa cinzenta cerebral, contribuindo para a diminuição do risco de surgimento de doenças como o Alzheimer.

O poder do neurofitness se revela com a capacidade natural que o cérebro possui de rearranjar suas células – neuroplasticidade – tornando as conexões mais fortes e eficientes, inclusive com formação de novos formatos anatômicos. 

Você sabia que o cérebro de cada pessoa é diferente?

 

É o que percebemos observando a rotina de atletas profissionais ou grandes  profissionais do mercado, que quanto mais treinam e executam suas habilidades, mais performance conquistam, mesmo quando em ambientes altamente desafiadores ou condições não tão satisfatórias, respeitando claro, eventuais limitações por fatores ligados à saúde física ou mental do indivíduo.

São vários os caminhos possíveis para melhorar a neuroplasticidade cerebral.

Essa habilidade do órgão reorganizar suas células é ativada sempre que estamos fora da zona de conforto, aprendendo ou aperfeiçoando habilidades e, até mesmo, quando buscamos fazer algo comum de forma diferente, como ir ao trabalho dirigindo por outro caminho ou escovar os dentes com a mão oposta.

Com o advento da Indústria 4.0 e as profundas mudanças que nos chegam através dela, sentidas na sociedade mesmo nesse momento quando ainda estamos num período de transição para mudanças ainda maiores, a ginástica cerebral se torna uma atividade diferenciada, moderna e necessária em curto e médio prazo.

Será um recurso fundamental para diferenciar e potencializar a grandiosidade humana, podendo transformar-se numa vantagem competitiva especial para micronegócios, em razão do baixo volume de funcionários que estes possuem e a necessidade de que estes sejam produtivos como um time. Nas grande empresas, terá papel fundamental na formação de talentos, diferenciando o potencial humano das máquinas, que serão cada vez mais eficientes, populares e controladas por inteligência artificial, não raro substituindo o trabalho de uma ou mais pessoas. 

O movimento é global, não há mais como fugir disso, mesmo em um cenário ativo de crise sanitária e econômica global.

 

Não podemos esquecer os saltos dados pela evolução da humanidade nos últimos 50 ou 100 anos, nem como o tempo pode passar mais rápido do que percebemos. Podemos nos surpreender com os avanços que faremos ainda neste século, mas não podemos negligenciar o fato de que o tempo presente é de profundas reformas, na natureza humana e no planeta Terra, mesmo que aparentemente, ainda não estejamos prontos como espécie para lidar com todo o contexto. Inclusive, há nesta altura do campeonato quem ainda não compreenda a profundidade da realidade das coisas. Culpa das desigualdades sociais e do baixo nível escolar e técnico das pessoas, mas também de nossa baixa capacidade como sociedade de nos colocarmos na posição do nosso interlocutor. 

A evolução natural da humanidade (mesmo antes da pandemia) vem exigindo das pessoas habilidades cada vez mais humanas, como aquelas relacionadas à prática da ética, pensamento sócio-estratégico responsável, desenvolvimento dos relacionamentos e da criatividade.  A natureza tem nos testado, exigindo-nos que apliquemos tais valores em cenários de alta pressão, com as pessoas impactadas pelo medo da escassez, principalmente nas nações ainda desorganizadas ou gananciosas, que simplesmente ignoram a agonia do mundo, clamando o fim da vida como a conhecemos.

O médico do presente e do futuro passará cada vez mais a diferenciar-se não pelo repertório de doenças que poderá decorar o tratamento, algo que pode muito bem ser feito por um robô, mas por sua capacidade de olhar nos olhos dos pacientes, sentí-los e, partindo deste ponto, usar todo o seu repertório técnico-científico para diagnosticá-lo, inclusive liderando as ações  no uso de maquinários avançados e na gestão das equipes do consultório. 

 

Aqui percebemos que a inteligênia artifical não tomará empregos, mas exigirá que as pessoas sejam realmente “pessoas” e estejam mais conectadas umas às outras, facilitando os processos de cooperação e empatia. Convidará a todos para uma atuação em seus postos de trabalho e pilares sociais praticando uma sensibilidade para além da formação técnico-acadêmica ou da “boa imagem”, que muitas vezes esconde problemas sérios, no que os empresários chamam de “resultados melancia”.

 

São mudanças que, se não as acompanhamos evoluindo nosso nível mental de percepção do mundo, tendem a agravar ainda mais as desigualdades sociais já existentes globalmente. É fundamental a união de setores diversos da sociedade, como a cooperação entre estudantes e as empresas, pois da mesma forma que vimos plataformas como o Linkedin mudar da noite para o dia a forma como as empresas recrutavam seus melhores colaboradores,  a tendência é de que percebamos com o tempo novos reajustes, trazidos principalmente pelas mudanças que os trabalhadores compartilham em seus círculos e no espaço interno das empresas, que precisarão usar outros indicadores para medir o desempenho, agregar valores e promover o crescimento do negócio e dos talentos, visto que tudo e todos estarão cada vez mais conectados, tornando as análises técnicas mais completas e assertivas por considerar também nuances subjetivas na composição dos resultados e na tomada de decisões gerenciais.

 

O mundo nunca mais será como era antes e as estimativas mostrando que 65% das crianças de hoje trabalharão em empregos futuros que ainda não existem colaboram com essa idéia!

Os grupos informais empresariais ganharão um outro contexto nesse cenário e isso influenciará até mesmo no que as pessoas assistirão nos televisores. Isso já é possível de perceber ligando a TV e observando o que as pessoas costumam pagar para assistir, do que elas gostam de fato, o que está realmente chamando atenção do público e não apenas sendo transmitido por ser legalmente obrigatório, político ou com intuito de vender anúncios comerciais.

Como o cérebro das pessoas muda fisicamente à partir da reorganização das conexões cerebrais, então mesmo que sutilmente, a forma como se percebe o ambiente também muda, seja pelas novas habilidades desenvolvidas, seja pelas novas formas de enxergar velhos problemas. É, literalmente, crescimento e evolução partindo do individual para o coletivo, atuando de dentro para fora, tendo como ponto central o autoconhecimento biopsíquico e os parâmetros sociais definidores de saúde. É o fim da “motivação barata” produzida por gurus de autoajuda ou rasas campanhas de RH.

A sociedade de hoje exige não apenas um volume relevante de certificados, diplomas e experiências, mas principalmente, o saber extrair o melhor de cada uma dessas certificações e momentos, coordenando conhecimentos de diferentes áreas para um ataque mais efetivo e dinâmico aos desafios que enfrenta na vida íntima e no ambiente profissional. As pessoas precisarão mais e mais mostrar a que vieram para manter sua posição na sociedade.

O caminho se acenturará cada vez mais nessa direção, porque a seleção natural de Darwin para os seres humanos passa pela adaptação às novas exigências do mundo, seja pelas vias do mercado ou da natureza, com o futuro exigindo dos humanos uma mudança drástica nas atitudes, a fim de evitar que sejam de fato substituídos por máquinas dentro da realidade produtiva empresarial. No Brasil, por exemplo, a situação pode ser ainda mais crítica, visto que vemos alto índice de desempregados, mas há alto volume de vagas abertas para cargos em que “só” é necessário boa formação técnica, com alguma especialização ou domínio de línguas. Cada indivíduo precisará lidar com sua própria realidade, ainda que estejamos todos interligados globalmente.

Se é bem verdade que a “internet” já poderia fazer parte da base da pirâmide proposta na hierarquia de necessidades humanas por  Maslow, visto nossa dependência que a equipara a uma necessidade fisiológica, o cérebro humano precisará manter-se diferenciado do “cérebro” das máquinas, visto que essas estarão cada vez mais inteligentes, independentes e externamente ainda mais parecidas com os humanos. 

Assim, deixaremos cada vez mais de lidar, seja como clientes ou como gestores, com o colaborador passivo e que necessita de ordens para atuar, não sabendo agir ou não tendo habilidades suficientes para trabalhar de forma mais coopetitiva, e teremos a maior parte do mercado constituído por “colaboradores proativos”, inclusive com a maturação e naturalização do pensamento empático por solidariedade em vez de por interesse, com pitadas de empreendedorismo, autogestão responsável e abertura para prática do feedback 360º, facilitando a ação com atitudes construtivas, completas e sustentáveis.

Aparentemente é tudo simples: Quando as pessoas reorganizam suas idéias individualmente, focando no desenvolvimento do órgão “cérebro”, treinando-o numa espécie de ginástica, tal qual fazemos com os músculos numa academia, ou preparando-o de forma filosófica, quase como um exercício de Biohacking, elas naturalmente realizarão tudo em suas vidas de um jeito sutilmente diferente, porque serão movidas por outra forma de enxergar as mesmas coisas e lidar com os mesmos desafios.  

As pessoas literalmente mudam! Elas evoluem de dentro para fora, de forma gradativa e definitiva, sempre de acordo com seus objetivos e as interações possíveis com o meio em que estão inseridas.

Desenvolver o principal órgão do corpo humano, seja montando cada vez mais rápido o mesmo quebra-cabeças, como fazem as crianças, ou disputando competições intelectuais cada vez mais complexas e desafiadoras, como fazem os jovens de hoje, que são apaixonados por e-Sports e esportes intelectuais, tem a capacidade de mudar não só o indivíduo, mas toda a sociedade e as Nações em longo prazo, pois o rearranjo neural não é feito apenas ao nível dos neurônios, focando apenas aspectos motores, mas também rearranja os aspectos psicológicos, principalmente quando feito com o sentimento de pertencimento a algo maior, com uma rotina pautada na saúde total e na atuação em time.

Não podemos esquecer que é da natureza humana o desejo de ser aceito em um grupo informal. Maslow, Durkheim e vários outros já postularam sobre isso. O cérebro humano é movido por um lado racional, que é assimilado pelas pessoas, e um  componente irracional, que é instintivo e atua em segundo plano, mas que também pode ser trabalhado com o apoio de um bom psicólogo, promovendo também o desenvolvimento terapêutico da inteligência emocional.

 

É o momento de uma maior compreensão do cérebro e popularização de atividades com ênfase nesse órgão fantástico!

Assim, após tantos séculos com Sócrates clamando em vão para que se investisse no autoconhecimento, as pessoas começarão a procurar os psicólogos, psiquiatras e neurologistas com a mesma naturalidade e regularidade com que frequentam o cardiologista, buscando não somente a saúde mental, mas também a capilaridade cognitiva, mesmo que apenas para envelhecer com saúde ou tornar-se uma alguém melhor. 

Conhecer toda a potencialidade interior e aplicá-la, implementando melhorias no ambiente biopsicosocial será decisivo no mercado 4.0, pois a concorrência pelos melhores cargos será ainda mais decidida por este tipo de “detalhe”.

Quanto você contribui hoje para a sociedade e as equipes que pertence? 

Quanto você se esconde atrás do nome do seu cargo sem sentir-se realizado ou entregar um grande case há anos? 

O mundo está mudando, o quanto você está mudando junto? 

Qual o nivel de flexibilidade das suas idéias e valores quando trabalhando em equipe? 

Pense cada vez mais nessas questões antes de sua próxima entrevista para um novo emprego ou durante algum processo seletivo interno onde já atua.

O “Conhece-te a ti mesmo!” nunca foi tão real, principalmente para aqueles que gostam de ter autonomia e não gostam da idéia de estagnação ou comodismo. E o jeito mais gostoso de vencer esse desafio de aprendizado e adaptação é, sem dúvidas, brincando com nossos joguinhos favoritos, seja no PC, console ou no smartphone. Este é sem dúvidas o jeito mais moderno e democrático de treinar o cérebro no dia-a-dia, enquanto se diverte!

 

Tipos de Ginástica Cerebral

A ginástica cerebral pode ser feita de várias formas, mudando as particularidades e exigências de cada método. O objetivo central sempre será a estimulação de áreas-chave do cérebro de acordo com os objetivos estratégicos ou simples descompressão da rotina, adequado o exercício aos desafios da rotina  comum do praticante. 

Veja abaixo os tipos mais comuns de ginástica cerebral.

      Acontece de forma natural e geralmente sem planejamento. Nem sempre é orientada ao desenvolvimento de uma habilidade cognitiva específica, acontecendo em  atividades da rotina comum como dirigir, brincar, estudar, trabalhar e até no conviver em sociedade. Viajar para conhecer novas culturas é também um excelente exercício mental, pois nos convida a adaptação e superação de desafios em coisas comuns da rotina, colocando-nos em um ambiente novo e inusitado.

 

      Estruturado por equipes de médicos e neurocientistas com o suporte de eletrodos e máquinas refinadas, que permitem o monitoramento dos   estímulos dos lobos cerebrais. É usado na medicina, especialmente em terapias com pessoas que estão se adaptando ao uso de próteses, com sequelas derivadas de acidentes, entre outras.

 

      Orientado para as necessidades do mundo dos esportes, seja em formato de simuladores para atletas, como ocorre no automobolismo e ciclismo, seja nos chamados esportes intelectuais, como os esportes eletrônicos e Mind Sports.

      Possuem estrutura que permite o planejamento das atividades, sendo estruturados para o desenvolvimento de competências cognitivas, especialmente aquelas relacionadas à tomada de decisões sob pressão, coordenação motora e cognitiva, ações com ênfase em melhoria contínua, além do desenvolvimento da autogestão e do senso de ação no trabalho em equipe.

Utiliza os esportes intelectuais como veículo facilitador do processo de estimulação cerebral, sempre com foco no desenvolvimento pessoal, atuando à partir da prática de elevados processos cognitivos fomentados pela competição intelectual, cérebro contra cérebro. É o neurofitness realizado como atividade complementar, seja no trabalho ou na escola. 

 

Há diversos órgãos coordenando as competições amadoras e profissionais de esportes intelectuais, garantindo o aumento contínuo e gradativo da popularização do conceito e captação de novos praticantes e fãs, que desfrutam dos benefícios da prática responsável e assistida. 

 

No Brasil, por exemplo, temos a ABRESPI – Associação Brasileira de Esportes Intelectuais, que tem por missão divulgar, incentivar e regulamentar as práticas no Brasil, enquanto associado ao COI, temos a IMSA – International Mind Sports Association, associação em que fazem parte esportes populares como xadrez, bridge, poker e o go. 

Os esportes eletrônicos ou e-Sports, também possuem órgãos coordenadores da cena, como a ABCDE – Associação Brasileira de Clubes de e-Sports e a CBeS – Confederação Brasileira de e-Sports.

Enquanto alguns poucos atletas desfrutam da cena em alto nível, nas principais competições intelectuais do mundo, pessoas de todas as idades podem aproveitar as melhores práticas em um ritmo mais brando e adequado à complementação de suas atividades diárias com objetivo de melhorar habilidades ímpares e que raramente são desenvolvidas em ambiente acadêmico ou profissional.

 

Os esportes eletrônicos muitas vezes são aqueles jogos populares que te divertiam há 1 ou 2 décadas e ganharam o status de esporte em razão de sua solidez, popularidade e grau de dificuldade para alcançar o domínio técnico, fato que aconteceu por exemplo com o Counter Strike

Experimente controlar um avatar dentro de uma arena competitiva, com intensos rounds de 2 minutos e entenderá como é possível um “jogo de vídeo-game” ser considerado esporte, enquanto você está confortavelmente sentado e no máximo movimentando os dedos. 

Vai entender porque é tão desafiador num primeiro momento e porque seus praticantes mais disciplinados podem tornar-se verdadeiras jóias para o mercado, em razão da grande potencialidade estimulada em seus cérebros.

Jogos em primeira pessoa de alta intensidade, como o CS:GO, nos permitem perceber como está nossa coordenação motora e o fluxo de formulação de respostas simples em nossa mente, conduzindo-a na assertividade no nível dos detalhes,  permitindo a percepção nítida do tempo de adaptação necessário ao  cérebro no desenvolvimento de novas habilidades, além de proporcionar  desafios intelectuais equivalentes a algumas horas em ambiente profissional.

Na prática, quase sempre percebemos como o nosso cérebro está lento, com tempo de resposta racional e intuitiva  precário e como temos oportunidades de melhoria na forma como organizamos (no improviso) as nossas decisões. Em longo prazo, nos surpreendemos com a nossa evolução cognitiva, realizando facilmente o que antes parecia impossível.

O CS:GO como jogo ainda é uma brincadeira, mas agora “a coisa toda” ficou séria! 

Monitorada por indicadores, supervisionada por staffs e causadora de um frenesi cerebral, mesmo durante partidas recreativas,  a bincadeira tornou-se uma técnica profissão para poucos.

Em contrapartida, a realidade do mercado de trabalho comum será cada vez mais de meninos e meninas que passa(ra)m parte significativa da adolescência “afinando o cérebro” nesse tipo de “brincadeira” ou “ginástica”, chegando aos principais cargos em razão de suas desenvolturas na gestão do tempo, gestão de riscos, tomada de decisões e responsabilização pelas metas. 

Serão profissionais com formação técnica relevante e cérebros diferentes!!

Com os ganhos cognitivos associados à neuróbia, todo o marketing atual em cima do universo gamer e as grandiosas competições de esportes intelectuais, cada vez mais presentes na TV, a tendência é que cada vez mais as escolas, através da Educação Física, e as empresas, através de suas políticas de valorização de capital humano, utilizem esta forma de neurofitness como mecanismo de treinamento cognitivo e desenvolvimento de habilidades.

 O neurofitness já é o presente quando falamos em qualidade total, desenvolvimento pessoal sólido e em curto prazo!

Modificações estruturais críticas na sociedade, como a aprovação da legislação para o Trabalho de Menores de 18 anos, levam à mudanças no perfil profissional que chegará até as empresas e nas exigências que estas encaminharão às escolas de todos os níveis, que pela própria dinâmica da concorrência, passarão a ir além das disciplinas presentes no Vestibular durante a formação de seus alunos, retroalimentando o ciclo. Isso tornará a ginástica cerebral parte fundamental nessa integração família-escola-empresa, tanto que nos últimos anos as franquias de academias para o cérebro só crescem.

Embora pareça uma simples alteração na lei, modificações desse porte podem transformar-se num evento histórico, com potencial para deixar marcas profundas na sociedade e nas empresas, não raro agravando problemas crônicos ou externalizando doenças crônicas da sociedade, antes pouco percebidas ou discutidas. 

Não é difícil ver os maiores empreendedores do mercado comentando sobre o alto volume de profissionais com boas referências e formados nas melhores universidades e centros técnicos, mas que não estão preparados cognitivamente para as exigências dos cargos que ocuparão. 

A redução da idade mínima para o trabalho formal, bem como os altos níveis de desigualdade social vistos diariamente nos semáforos e telejornais, devem levar os jovens ainda no Ensino Médio ao ambiente corporativo formal, quando os processos intuitivos dentro das empresas nem sempre são óbvios mesmo para os adultos e, quando muitas vezes e apesar da idade, estes jovens ainda não se adaptaram se quer ao ambiente escolar, possuindo baíxas notas, pouco prazer na leitura e pouca autonomia no exercício do raciocício lógico-estratégico, para assumir como aprendiz a responsabilidade de uma função profissional em uma empresa de qualquer porte. Apesar da idade, intelectualmente ainda são como crianças.

É preciso ter em mente que esses jovens profissionais não apenas comporão os grupos informais atuantes nos diversos setores das empresas, mas que serão como os demais funcionários, células vivas da cultura organizacional, estampada nos outdoors das cidade e nos blocos subjetivos de construção da Nação. Para vencer, as empresas precisarão enxergar essa realidade para além dos aspectos financeiros.

Obviamente, os jovens mais independentes intelectualmente, ou seja, os que são autodidatas, bem como os que lidam melhor com a pressão e a questão da disciplina, terão vantagem no momento da disputa por um cargo qualquer, mais do que já acontece atualmente. A diferença no cenário estará no aumento da oferta destes profissionais, tornando o que hoje é exceção uma regra. E o treinamento cognitivo será um diferencial neste ponto, tornando esportes como xadrez, go e mesmo o CS:GO tão importantes quanto o basquete, judô ou o futebol na formação de indivíduos competitivos, agregando o senso de  coletividade tão essencial para a consolidação das bases da coopetição, tão essencial para negócios e nações.

As mudanças conceituais na sociedade humana só ocorrem em longo prazo, mas com o empenho de todos, a ginástica cerebral realizada como um esporte intelectual pode tornar-se um caminho em curto e médio prazo minimizando prejuízos crônicos da sociedade, atendendo a necessidade de pertencimento a um grupo informal (dos estudantes), oferecendo uma estrutura pré-definida e saudável de treinamento cognitivo (para as empresas e as escolas), favorecendo a popularização e acessibilidade aos ideais de saúde total e melhoria contínua em vários níveis do indivíduo e nos mecanimos da sociedade. 

A neuróbia é o caminho simples e divertido para construir o sucesso na rotina diária com equilíbrio, aproximando a realidade social da formação escolar e técnica para todas as idades, além de tratar a questão do desenvolvimento de equipes adultas de forma lúdica, prática, moderna e econômica para as empresas e indivíduos, cedendo espaço para o surgimento de novos olhares humanos à respeito de discussões éticas e estruturais, como nossas leis e modelos de educação.

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A ginástica cerebral pode e moldará gerações completamente focadas em evolução, sustentabilidade, coletividade, senso de pertencimento a algo maior, mas com o requinte de focar em todas essas coisas naturalmente, quase como um hábito de higiene. Também auxiliará no combate à velhos problemas, como a dificuldade em interpretar e bem utilizar as informações que lê, quando lê, além de despertar o interesse e domínio por outras culturas, plantando a semente da melhoria contínua em nossas vidas como um evento de saúde dos indivíduos e da sociedade, como de fato é, se levarmos este conceito à seleção natural humana e medirmos o senso de urgência pela velocidade de implementação das automações.

Neste ponto, o Neurofitness promoverá toda uma reforma social, desde a revalidação de jogos classificados como válidos pelos novos valores da sociedade, até o espaço para discutir a cultura e a ética dentro desses joguinhos, favorecendo inclusive, as condições para a extinção de processos sociais falidos, como o “machismo” e as questões de gênero, que são abordadas de forma transparente e natural através deste conceito. 

Numa sociedade orientada pelo “cérebro” e não por velhos paradigmas, as pessoas convivem de forma natural com o fato científico da igualdade genética da inteligência entre os gêneros, eliminando na raiz estes problemas milenares.

Bons jogos educativos, desenvolvidos em conjunto por governos, empresas, pedagogos e setores importantes da sociedade podem treinar todas as idades em missões reais, promovendo mensagens como “cuide melhor de sua família”, ou “salve o planeta Terra”, estando completamente contextualizados com a realidade global e também orientados à  cultura de pró-atividade, construção real de legados, preservação dos bons costumes e da “verdificação” das cidades, seja plantando árvores e cultivando hortas verticais orgânicas, seja reciclando o lixo, organizando-se em economias coletivas ou  atuando orientado por valores sociais nobres, contribuindo para a ciência, a economia e espécie.

É um caminho velho que surge com ar de novidade, convidando a sociedade à reflexão sobre sua identidade coletiva, colocando em pauta não apenas questões éticas, como a menor idade para o trabalho formal e seus impactos socioeconômicos, mas também questões menos óbvias, como a discussão sobre quem somos enquanto espécie e o significado de “ser humano”, promovendo a cultura de falar pelos exemplos e não por palavras de significado vazio, devido a carência de boas atitudes ou excesso de displicência.

O fato é que com o agravamento das crises econômicas, as melhores empresas permancerão contratando os melhores  profissionais, mas encontrarão em meio aos estudantes, ainda com 15 ou 16 anos, a oportunidade de contratar mão de obra mais barata, em razão da condição de “iniciantes”, mas aproveitando-se dessa lapidação cognitiva que boa parte deles terão, fruto da prática regular dos esportes intelectuais, formarão verdadeiros exércitos de talentos, especialmente se criarem condições para humanização do clima organizacional e a cultura do “vestir a camisa”, quase extinta atualmente. 

 A liderança, mais que nunca, será algo conquistado pela excelência do gestor e sua capacidade de gerenciar os recursos que possui, inclusive a própria inteligência e capacidade cognitiva – o próximo salto na competitividade empresarial.

Definitivamente, estamos assistindo o começo de uma nova era não apenas tecnológica, mas especialmente humana, desafiadora, reformista e esperada, visto que somos a principal espécie do Planeta e parecemos sacudidos diante de nossas expectativas e necessidades. É isto o que nos reserva o mundo pós-Sars-CoV-2.