Os legados do xadrez como neurofitness

Por Lexxa Blackfish

Com origens apontadas para o século VI na Índia, expandindo-se pelo mundo através da China e pelas rotas comerciais da época, o xadrez sofreu sua última grande transformação, a introdução da Rainha no jogo, no século XIV, sendo desde então um dos mais elegantes e famosos esportes intelectuais. O legítimo jogo dos Reis! 

Quem já teve a oportunidade de assistir uma partida na modalidade Blitz, por exemplo, pode facilmente entender como se trata de um esporte divertido, dinâmico e democrático, contrastando com a imagem cada vez mais distante de “jogo para intelectuais” ou “algo chato e sem emoção”. 

Paradigma que na sociedade brasileira têm sido quebrado nas últimas décadas com a introdução e desenvolvimento do xadrez no ambiente escolar, algo comum em países como Rússia (Ex-URSS), Alemanha e Argentina desde o início do século XX, mas que ganhou força no Brasil somente a partir dos anos 80, impulsionado pelo sucesso mundial do trabalho realizado por grandes nomes do esporte, como Anatoly Karpov, as irmãs Polgar e o popular Garry Kasparov, em históricas disputas, não raro contra máquinas. 

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É importante destacar que o xadrez tem agregado valores à sociedade para além do ambiente escolar, contribuindo para que empreendedores e executivos tenham maior performance mental e a “melhor idade” possa de forma lúdica, participar de atividades sociais e de cognição, estimulando a mente e aumentando a resistência contra o desenvolvimento de doenças mentais, além de contribuir para a felicidade,  autoestima e senso de pertencimento a um grupo. 

Veja também: Xadrez na terceira idade e a importância dos jogos na formação da mente empreendedora

 

Outro aspecto relevante nas contribuições do xadrez à humanidade é o tratamento da causa feminina com uma transparência louvável, promovendo evolução coletiva tanto no entendimento das diferenças biológicas típicas do cérebro de homens e mulheres (como esporte intelectual, não podemos esquecer que a essência do xadrez é baseada no conceito de disputa cérebro contra cérebro) e históricas, com intensas disputas entre os gêneros, como a da Húngara Judit Polgar contra o inglês Nigel Short (ou seria do inglês contra a húngara?), que perdeu para ela 8 vezes, confirmando a idéia de equivalência da potencialidade do cérebro de homens e mulheres.

Por que elas ganham menos então? Por que tantas mulheres são ofendidas apenas por serem mulheres? Por que ainda há quem ache a maior força muscular dos homens um fator de vantagem competitiva sobre as mulheres, se é o cérebro quem controla os músculos e não o contrário?

A cena do xadrez mundialmente nos convida a essa discussão de forma inteligente, intensa e charmosa, construindo legados desde a fase escolar na formação de uma sociedade mais equilibrada e justa, com maior entendimento e respeito ao outro.