Um olhar sobre o Dia Internacional da Mulher

Por Lexxa Blackfish

Resgate histórico sobre a data

A idéia do Dia Internacional da Mulher surgiu no contexto da Primeira Guerra Mundial, com a incorporação da mão de obra feminina nas Indústrias.

O primeiro ato, celebrado em 28 de fevereiro de 1909, se deu em memória da greve das operárias da indústria do vestuário de Nova York, que foram incendiadas dentro da fábrica ao protestarem por suas condições desumanas de trabalho, em 08 de março de 1857. 

Na Rússia, as comemorações pela data foram o estopim da Revolução de 1917. A greve das operárias contra a fome, o Czar e a participação do país na Primeira Guerra precipitaram os acontecimentos que resultaram na Revolução.

A data se tornou esse misto entre o Dia dos Namorados e o Dia das Mães, com os homens demonstrando simpatia pelas mulheres, desviando ligeiramente a atenção de aspectos políticos e das questões de gênero, somente após a Revolução de Outubro. 

A ONU só oficializou a data em 1975 através de um decreto.

Assim, mesmo nos dias atuais, ainda não é uma data comemorativa. Exceto pelas vitórias que resultaram em  melhorias na qualidade de vida conquistadas por uma parcela das mulheres do planeta, que já podem estudar, votar, escolher com quem irão casar-se, decidindo sobre o número de filhos, os modelos de vida e carreira profissional que terão. 

 

 

Apesar de parecer bem moderno, o mundo em que vivemos ainda é repleto de tabus. 

 
 Cada povo, Estado ou Empresa é como um aluno em uma grande sala de aula. Ninguém sabe tudo ou está completamente isolado, podendo e devendo todos aprender uns com os outros e para o bem de todos.

Esse é o melhor momento para em escala global discutirmos as questões do universo feminino. Os mesmos degraus necessários para trilharmos uma mudança consistente na mentalidade da humanidade em relação ao próximo, despertarão em cada um o respeito necessário para que as pessoas lidem de forma evoluída com outros assuntos não menos importantes, como os referentes à questão climática e violências diversas, sem a necessidade de histórias em quadrinhos para amenizar as realidades e promover a conscientização da população. 

O nível de capacidade para respeitar as diferenças entre os seres precisa chegar ao nível de sentirmos gratidão pela existência das plantas, animais e até mesmo das rochas, para que alcancemos este próximo estágio, nos colocando um degrau acima das máquinas, que cedo ou tarde aprenderão sobre ética. 

Segundo Vygotsky (1998, p. 85), “estudar alguma coisa historicamente significa estudá-la no processo de mudança” e não somente “estudar algum evento do passado”.

Nesse contexto, para compreender os desafios da mulher no século XXI na era do conhecimento e da Indústria 4.0, devemos observar os atos que compõem a história de suas conquistas globalmente. Devemos entender a mulher caso a caso, no contexto real em que ela está inserida socialmente.

Muda-se todo o paradigma caso ela esteja num ambiente de saúde total ou não; se ela vive numa Nação desenvolvida como a Suécia, intermediária como o Brasil ou em ditaduras que pouco se interessam pelas questões humanas e de gênero.

A natureza da humanidade está em transformação. Tempos atrás, comer carne vermelha era algo considerado padrão, enquanto o que vemos atualmente é o volume cada vez maior de pessoas aderindo à alimentações do tipo orgânica e vegana, seja por razões éticas ou de salubridade. Mas num planeta com bilhões de pessoas, não podemos esperar que a consciência de todos mude total e radicalmente ao mesmo tempo.

À medida que a natureza das pessoas se conecta a novos padrões e ideais, ocorre a mágica das mudanças estruturais na sociedade. 

As células-base de qualquer sociedade sempre serão as famílias. Por isso que, cada criança acolhida em uma boa escola e em uma Nação que não trata suas questões internas com hipocrisia, trata-se de uma semente plantada do futuro. 

Qual o futuro que queremos? Qual futuro estamos plantando dia após dia?

 

Um futuro melhor para as mulheres se inicia com a construção de uma política de respeito a tudo e todos ainda dentro de casa, mas também nas escolas e no mercado de trabalho. É importante não confundir aqui “respeito nas escolas” com “militarização do ambiente escolar”, ou mesmo respeito com ´poder’. É importante compreender também que da mesma forma que a desigualdade social gera violências, a opressão feminina gera danos incalculáveis para gerações inteiras. Serão essas mulheres violentadas em sua humanidade que serão as mães das futuras crianças, dos futuros líderes. É preciso que se cuide delas.

Em grandes nações se pensa assim!

O respeito, algo que deveria ser ensinado ainda no berço, é composto por uma longa lista de elementos que, muitas vezes. pode gerar controvérsias em razão das profundas diferenças culturais família-a-família, sendo mesmo por isso, tão necessária essa lição tal qual a mais comum, sobre a Dengue ou uso faixa de pedestres.

O respeito na sociedade se inicia em cada indivíduo e em cada ambiente à partir da política óbvia de respeitar cada um dentro de sua individualidade, vendo as diferenças do outro como uma vantagem competitiva que nos torna únicos! A empatia será cada vez mais um fator de diferenciação entre humanos e máquinas.

Se isso fosse ensinado desde cedo, não veríamos tanta violência explícita nas ruas ou veladas dentro dos escritórios, principalmente contra as mulheres, que são por sua natureza biológica e histórica, mais vulneráveis que os homens, mesmo as que ousaram “ser” com a força de toda a sua potencialidade, liderando grandes equipes na Terra ou em passeios espaciais. 

Na sociedade atual ainda é muito difícil ser completamente livre e viver sem os limites impostos pelas máscaras e correntes sociais, principalmente quando se é mulher. É algo íntimo como a troca aliviada de olhares quando duas ou mais se percebem do mesmo lado da calçada em ruas escuras das grandes cidades, no eterno receio da violência estatísticamente anunciada.

 

Se “respeito” fosse o padrão de ética da espécie humana, se quer seria cogitada a hipótese de uma mulher com mesma formação e experiência ter remuneração inferior a um homem e, ainda mais, se ela for negra e residir em comunidades periféricas. A diferenciação de salário entre mulheres brancas e de outras etnias jamais seria praticada, seja pela inexistência do preconceito racial velado, (que já não poder ser negado, visto que ainda resiste livremente nos estádios de futebol, nosso esporte mais popular e que possui o regulamento prevendo punições a todos em razão do racismo), seja pela elevação moral do que significa valor para o ser humano comum.

Numa analogia bem grosseira, que é a cor da pele além da “pintura” da lataria de um carro? Qual é a diferença entre homens e mulheres, que uma variação entre Sedan e SUV?

Somos todos necessários uns aos outros, até para uma atitude simples, displicente e autônoma, como pagar um boleto em uma Casa Lotérica. Homens e mulheres necessitam uns dos outros para, complementando-se, oferecerem o legado de cada um à espécie humana, à sociedade em que vivem, ao que importa a cada um. E não me refiro à reprodução ou genética.

 

Enquanto em um esporte popular como o futebol for necessário um regulamento para que exista obrigatoriamente o “feminino”, então já temos um forte indício de que por mais moderna e elitizada que se torne esta sociedade, ainda há muito a evoluir no campo do “respeito ao outro”, do sentimento de igualdade ao que é diferente. Ainda estaremos perdendo o jogo.

Enquanto vermos cenas lamentáveis de violência e preconceito em estádios de futebol, um local de celebração e festa, principalmente com as minorias, podemos conservar a certeza que nossa sociedade ainda não está pronta para respeitar “o diferente”, sendo essa a maior lição que o esporte tem a dar ao mundo. 

Ensinar a competir no limite da excelência, sem perder de vista a ética e os ideais de saúde, é e sempre será o maior legado do esporte para a sociedade em todos os tempos, mas especialmente, na era do conhecimento.

Enquanto o cenário for de hipocrisia e palavras sem ação, não importa quantas flores e chocolates distribuíram na porta de entrada das repartições às funcionárias. O que uma empresa e colegas do sexo masculino pensam sobre as mulheres e sua importância para a sociedade é algo que elas percebem no dia-a-dia, sendo as flores mais significativas, aquelas em formato de respeito e reconhecimento pelo seu trabalho. 

É tempo de todos compreenderem que as mulheres precisam ser tratadas com respeito todos os dias e não apenas por gentileza.

Enquanto a sociedade tiver dificuldades de portar-se de forma respeitosa em ambientes pacíficos e, somado a isso, vermos notícias diárias nas mídias sobre práticas desumanas como a corrupção, o estupro, a pedofilia, a sujeição econômica e abandono em vários formatos, teremos a necessidade de manter um efetivo de mulheres em protesto pelo mundo, já que pelo menos uma vez por ano suas causas serão minimamente escutadas, mesmo que uma parcela considerável de mulheres esteja tão subjugada que lhes faltem forças para lutar contra a opressão, abrindo espaço para à partir da luta delas, promover melhorias para toda a sociedade. 

O Dia Internacional da Mulher é, dentro desses parâmetros, uma busca por uma sociedade mais evoluída e com disposição para ouvir diferentes pontos de vista, alcançando a harmonização com diferentes grupos, sendo justamente por isso, um ideal que deveria pertencer a todos, independente do gênero e classe social. 

Conexão ainda é a palavra-chave para a humanidade no universo! 

Mas na vida não existe o botão “bloquear”, como nas redes sociais. Não é possível simplesmente deletar uma pessoa de nossas vidas ou esquecer as marcas que suas violências nos deixam. É preciso aprender a construir e moldar nossas relações, não raro com a ajuda de um psicólogo. 

Essa questão específica, implementada numa visão típica de  “relacionamentos heteronormativos”, mostra que o feminicídio só não é maior porque muitos casos são contabilizados como “outros crimes”, tornando as estatísticas sobre violência contra a mulher apenas um demonstrativo superficial da realidade. 

Toda ação gera uma reação. Anos de opressão às mulheres geram suas consequências.

 O cenário caminha para que elas assumam a gestão do planeta, uma vez que já comandam a maioria dos lares, pelo menos no Brasil, e estão cada vez mais desgastadas com a condição social em que vivem. 

Os motivos para uma especulação como essa são vários:

  1. A realidade das mulheres ganhando salários menores que os homens nas mesmas condições é uma condição global, com exceção de alguns poucos países. Isso significa que a insatisfação com a questão da mulher é crônica, com os cenários de abuso sendo mais ou menos graves conforme a região do planeta.
  2. Já existe nas mulheres uma tendência disruptiva de buscar o topo das profissões com predominância do sexo masculino, como áreas de tecnologia, alta gestão, ciência aeroespacial, a política, entre outras. Cada mulher que vence o sistema, torna-se uma referência para a mais nova, que desfrutando de uma sociedade com menos amarras, pode crescer mais livremente e superar seus próprios limites.
  3. O mundo quer as mulheres no comando, seja porque em seus lares os homens em grande parte ainda estão acostumados com alguma mulher recolhendo as cuecas sujas, seja porque seus números com o passar do tempo vem se tornando mais relevantes para as lógicas de acumulação de lucros do Sistema, com elas chegando cada vez mais ao posto de CEO e Líder de Nações com resultados impactantes, apesar de todos os contextos inseridos na caminhada da base até o topo da carreira, normalmente divivida com as tarefas do lar.

Neste ponto, as competições oficiais de esportes intelectuais oferecem a oportunidade de meninas ainda muiyo jovens testarem suas habilidades cognitivas em um ambiente competitivo e justo junto aos meninos, como acontece nos CS:GO e em outros esportes intelectuais, ensinando-lhes autoconfiança, além de abrir portas para as meninas se familiarizarem com as novas tecnologias, como tem acontecido em competições oficiais de robótica e que contribuem para o fim de profissões estigmatizadas pelo gênero em longo prazo.

Leia mais: Mulheres enfrentam o machismo também nos esportes eletrônicos

 

Com o desenvolvimento da essência humana (apoiada ou não no universo dos esportes), principalmente os intelectuais, a tendência é que no futuro possamos efetivamente comemorar o Dia Internacional da Mulher e não apenas discutí-lo, com os homens ainda presenteando as mulheres de suas vidas com flores e bilhetes de carinho e respeito, mas reconhecendo em cada uma delas a força e contribuição para a transformação do mundo em que vivemos.

Compreenderemos que o lugar da mulher é onde ela quiser, seja no Espaço Sideral, consertando telescópios, seja com os pés e mãos na terra, cultivando a saúde de suas plantas e crianças.

A mulher sempre será o fator determinante para a sociedade do futuro e com o tempo perceberá, mesmo a mais humilde delas, toda a sua força como agente transformador do mundo. Elas ainda são as “maiores” responsáveis pela criação dos filhos, tanto que a sociedade costuma ser menos cruel com o homem que falha, que com a mulher que não atende as expectativas da maioria como mãe.

 

A mulher do futuro será o resplendor vivo da inteligência na Terra, seja liderando empresas com potencial de transformar a história da humanidade, seja criando meninos e meninas com coragem e força interior suficientes para espalhar a semente mais nobre das famílias humanas por toda a galáxia. 

A natureza sempre encontra um jeito e a natureza da mulher é ser plena como a essência do Planeta Terra.

Apesar das dificuldades, elas seguirão cumprindo suas missões.